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Mais de 10% dos recursos podem ser comprometidos se não frear a perda da biodiversidade

Iniciativas, como a “Lei do Babaçu Livre, podem atrair investimentos do mercado de carbono

AgroMais 22/11/2021 • 18:09
Vocação forte da biodiversidade da Amazônia foi destacada
Vocação forte da biodiversidade da Amazônia foi destacada
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Segundo o Panorama Ambiental da Organização Para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, se não houver esforços para frear a perda de biodiversidade, mais de 10% desses recursos serão comprometidos até 2050. Fica em evidência o tema "bioeconomia", que envolve práticas de sustentabilidade que geram renda para comunidades e povoados próximos a áreas de preservação.

Um exemplo disso é o grupo "quebradeiras de coco babaçu", que une mulheres do Maranhão e Tocantins. A "Lei do Babaçu Livre" até garantiu a elas o livre acesso e uso comunitário dos babaçus, mesmo em propriedades privadas, além de impor restrições significativas à derrubada da palmeira nos estados do Maranhão, Piauí, Tocantins, Pará, Goiás e Mato Grosso.

Em um seminário, o grupo discutiu o andamento das políticas de preservação territorial e ambiental nas regiões onde as mulheres moram, o potencial econômico e sustentável dos produtos das quebradeiras de coco, além da possibilidade de receberem o registro internacional TICCA: "Territórios e Áreas Conservadas por Comunidades Indígenas e Locais", título da ONU que reconhece os direitos de povos e comunidades tradicionais.

No Brasil, apenas o Território Kalunga recebeu esse reconhecimento de nível global. Para ser considerada TICCA, a população precisa comprovar que preserva o meio ambiente e gera bem-estar comunitário. Discussões sobre como ampliar o trabalho de preservação ambiental com ajuda das comunidades tradicionais estiveram em pauta na COP26.

Essas iniciativas podem atrair investimentos do mercado de carbono, um dos temas mais discutidos na conferência. Com o acordo é possível que um país possa vender reduções de emissões de CO2 excedentes - além das necessárias para cumprir suas metas climáticas - para que outro país possa contabilizar essas reduções. Nesse cenário, o papel dos povos tradicionais tem ganhado destaque.

As quebradeiras de coco babaçu movimentam a economia de mais de 270 municípios. Elas aproveitam o fruto para produzir azeite, leite, carvão e, com a palha, cobrem as próprias casas. Por atuarem dentro do conceito de "bioeconomia", pretendem trocar conhecimentos com outras comunidades tradicionais para incentivar que o Brasil tenha mais territórios "TICCAS".

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